Dias 16 a 20

16o dia – 15/04/2012
Cusco (PE) – Aguas Caliente (PE) – Macchu Picchu (PE) – Águas Calientes (PE): 0 km

Deixamos as malas e a moto no hotel e com duas mochilas de ataque (uma de 20 litros e outra de 25 litros) com as roupas para dois dias de viagem fomos em direção a Machu Picchu. As 7:00 a van nos pegou e levou-nos a estação de trem. Para minha surpresa ao invés de pegar o trem pegamos um ônibus e fomos até Ollantaytambo. O caminho repleto de belos vales e picos nevados foi feito em 1 hora e 45 minutos. Já dentro do trem a euforia começou a tomar conta, afinal estava prestes a chegar a Machu Picchu. As 11:30 estávamos em Águas Calientes e ao chegar demos uma de juvenil (como se nunca tivéssemos viajado antes).

O guia já nos aguardava na estação de trem e disse que tínhamos que ir direto para o outro ônibus que dá acesso a Machu Picchu. Foi aí que erramos, pois deixamos as malas com os funcionários do hotel que reservamos (eles também nos aguardavam na estação de trem). E assim seguimos para Machu Picchu sem capa de chuva e comida. Fomos para as ruínas munidos somente de máquinas fotográficas e muita vontade de conhecer uma das 7 maravilhas do mundo. Depois de 25 minutos de zig e zag chegamos a entrada do sitio arqueológico.

No parque ficamos 3 horas e meia apreciando boquiabertos aquele lugar magnífico. Fiquei muito impressionado com as ruínas e mais ainda com a localização geográfica em que foi construída – são montanhas simplesmente lindas!!!

Na última meia hora pagamos pelo erro cometido na estação de trem, pois pegamos a maior chuva. Ou seja, estávamos com fome, sede, frio e molhados – uma beleza......

Terminado o passeio guiado pegamos o ônibus para retorno a Água Calientes e quando chegamos lá embaixo fomos direto para o hotel Inkaterra. Diga-se passagem sem dúvida alguma o melhor hotel da cidade. Não que tenhamos escolhido este, mas sim pelo bom trabalho da dona da agência de turismo Cadiz que conseguiu um up grade na nossa reserva, sem custo algum. Depois de um belo banho, nos aquecer, saímos para visitar o centrinho e jantar. Mas antes de abastecer o estômago tentei comprar o ingresso para subir o Wayna Picchu (aquela montanha que aparece atrás das ruínas em todos os cartões portais), uma pena que o último fora vendido 10 minutos antes – são apenas 400 ingressos por dia.







17o dia – 16/04/2012
Aguas Caliente (PE) – Macchu Picchu (PE) – Águas Calientes - Cusco (PE): 0 km

As 7:30 fizemos o check out após termos tomado uma café da manhã de rei e pegamos novamente o ônibus para Machu Picchu. Desta vez fomos sem o guia e pegamos caminhos não tão tradicionais. Desta forma tivemos a oportunidade de ver as ruínas de outros ângulos além de contemplar o lugar com muito mais calma. Não que o passeio guiado tenha sido ruim, mas por conta foi bem mais legal. Como estávamos dispostos a subir uma montanha e o Wayna Picchu não foi possível resolvemos subir o Intipunku. Esta montanha tem a mesma altitude do Wayna Picchu, porém a subida é bem menos íngreme e por isso afasta-se um pouco das ruínas. Para compensar desta montanha é possível ver o rio Urubamba serpenteando entre as montanhas, a cidade de Águas Calientes e as ruínas ao longe.

Depois de 6 horas no sitio arqueológico retornamos a Águas Calientes. Fizemos algumas comprinhas de souveniers e relaxamos na praça ao lado do rio Águas Calientes até a hora de pegar o trem. Na volta ele foi até Poroy numa viagem cansativa de 3,5 horas. Ao descer do trem uma van já nos aguardava para levar-nos ao hotel. Mais uma vez estávamos cansados a ponto de não querer sair para jantar, por isso optamos pelo restaurante do hotel.







18o dia – 17/04/2012
Cusco (PE) – Vale Sagrado (PE) – Cusco (PE): 0 km

Para o último dia juntos na viagem programamos um passeio mais light. As 8:30 o micro ônibus nos aguardava para irmos ao Vale Sagrado. Após algumas paradas para “coletar” outros turistas o ônibus parou em Awana Kancha, uma cooperativa. A princípio achei que seria uma parada inútil, mas já nos primeiros minutos mudei de ideia. Além de ver as diferenças (lado a lado e ao vivo) entre Lhamas, Alpacas, Vicunhas e Guanacos, tivemos a oportunidade de alimentar as Lhamas e as Alpacas. Ainda dentro da cooperativa vimos como são feitos os tecidos artesanalmente, bem como diversos produtos maravilhosos (caros também). Recomendo este passeio, diria até ser imperdível.

Dali seguimos para a famosa feira de Pisac, onde pode-se encontrar quase todo o tipo de artesanato possível, bem como muita prataria. Praticamente tudo estava mais caro que no Centro de Artesanato de Cusco e por isso não compramos nada. Seguimos “viagem” e a próxima parada foi para almoçarmos no San Agustin Monasterio de la Recoleta Hotel (já incluso no pacote contratado com a Cadiz Turismo em Curitiba). Se estiver passando por Urubamba próximo ao horário do almoço sugiro parar neste restaurante, a comida é muito boa e a música ao vivo também, além de um lindo visual.

A tarde fomos a Ollantaytambo para conhecer as ruínas de mesmo nome. Segundo o guia ela no auge do império inca era maior e estrategicamente mais importante que Machu Picchu, porém como o acesso é muito mais fácil a destruição promovida pelos espanhóis foi muito maior. Por este motivo e por estar dentro da cidade ela não tem a mesma magia de Machu Picchu. Para tirar um pouco mais do encanto a quantidade de turistas era muito grande, chegando a formar “engarrafamentos” nas escadarias.

As 17:30 chegamos ao hotel, arrumamos as malas e jantamos no quarto.







19o dia – 18/04/2012
Cusco (PE) – Chivay (PE): 411 km

Tomamos o café da manhã calmamente curtindo o momento, pois nos próximos 10 dias estaríamos longe um do outro. As 7:50 a van passou para pegar a Carla e leva-la ao aeroporto. Fiz o check out coloquei todos os apetrechos na moto e as 8:15 saí do hotel, mas na estrada efetivamente só cheguei as 9:10. E olha que só fiz uma parada rápida para abastecer, o restante do tempo perdido foi por conta do transito.

Assim que a condução começou a ganhar rítmo levei um dos maiores sustos da viagem. Ao sair de uma curva me deparei com um pastor conduzindo calmamente o seu rebanho de ovelhas de um lado para o outro da estrada. Modéstia parte mandei bem e com a ajuda de Deus consegui evitar a colisão. Consegui parar a moto controlando os freios (freiando e soltando-os fazendo o papel do ABS) principalmente para que a moto não saísse de traseira. Não deu nem 10 minutos que me recuperei do susto fui obrigado a parar para vestir a capa de chuva e deste ponto em diante peguei garoa, pancadas muito fortes de chuva e até neve até chegar ao destino do dia.

Segui o percurso que havia planejado e fiquei surpreso, pois na minha preparação seriam 341 km de Cusco a Chivay, entretanto rodei 401 km, o que não chega a ser um problema. O que pegou foram os 145 km em estrada de chão que com a chuva estava uma verdadeira papa (e o meu mapa dizia que era de asfalto?????). Praticamente todo este trecho está entre os 4200 e 4700 msnm, sempre subindo e descendo. Em um dos momentos quando passei os 4750 msnm nevou durante uns 10 minutos (embora já tivesse visto por diversas vezes glaciares e neve, esta foi a primeira vez que a vejo caindo). Apesar desta adversidade toda, felizmente não caí nenhuma vez e também não passei frio - e nem cheguei a usar os forros da jaqueta e da calça de cordura.

Ainda sob muita chuva cheguei a Chivay as 18:30 com a moto imunda, bem como a minha capa de chuva. Hospedei-me no hostel El Caminante; limpo, com chuveiro bem quente  e chochera. Após o banho (onde aproveitei para lavar a capa de chuva) agendei o passeio ao Cânion Colca e fui jantar. Antes de retornar para o hotel passei em uma lan house para mandar notícias para a Carla e meus pais.

Nos meus preparativos vi relatos muito legais sobre o Cânion Colca e por isso estava ansioso para conhecê-lo, entretanto diante de um dia inteira de chuva estava preocupado em não poder apreciar a paisagem.






20o dia – 19/04/2012
Chivay (PE) – Puno (PE): 333 km

As 6:45 fui para a frente do hostel e para a minha surpresa o céu estava limpinho – meu sorrido foi de orelha a orelha. Aguardei 5 minutos e a van apareceu praticamente cheia, com somente um banco livre. Praticamente todos haviam saído de Arequipa as 4:00 da manhã e estavam com caras de cansado. Até chegar a cânion propriamente dito a van fez duas paradas. A primeira no vilarejo de Yanko que achei muito sem graça pois tudo estavam mostrando na praça principal já havia visto - lhamas, vestimentas, etc... A segunda parada foi para ver o vale Colca, essa sim valeu a pena pois o visual é simplesmente um show.

Depois de uma hora e meia de curvas chegamos ao parque e a guia perguntou se queríamos ir pela trilha. Parte do grupo disse que sim e outro foi até a Cruz Del Condor de van. Optei pela trilha de 45 minutos com um visual incrível. A referência de dimensões que conhecemos deixa de existir, pois o rio Colca está a 3600 metros abaixo dos turistas que podem caminhar na beira dos penhascos da margem esquerda. A outra margem está a 3800 metros do rio que está a 300 msnm.

Os mirantes no final da trilha (para aonde a van foi direto) estavam abarrotados de gente. Na primeira passada dos condores consegui uma foto legal e nos 40 minutos seguintes fiquei sentado curtindo o visual e fotografando os condores sem compromisso pois já havia feito um bom registro deles.

No retorno a van para mais duas vezes, uma para ver aonde começa o Cânion Colca e onde termina o Vale Colca – mais uma vez um visual de tirar o fôlego. A outra parada foi em Maca somente para compras (também não vale a pena). As 12:15 chegamos a Chivay.

Sem dúvida nenhum a beleza do lugar vale os 145 km de terra do dia anterior, faria tudo de novo se fosse necessário.

Arrumei as malas, abasteci a moto e dei uma boa revisada na “valente”. Foi aí que descobri algumas avarias causadas pela estrada de chão, foram elas: os dois faróis auxiliares quebrados e um vazamento no retentor da bengala esquerda. As 13:00 deixei o posto com a meta de ir até Juliaca dividindo o caminho entre Chivay e La Paz.

A saída de Chivay merece ser feita com muita calma, pois tão grande quanto a beleza do visual são os precipícios a beira da estrada e quantidade de curvas muito fechadas. Sempre em subida a estrada me levou ao “topo da viagem” (4886 msnm). Para ajudar muitas crateras e desmoronamentos. Depois do mirador dos volcanos a 84 quilômetros de Chivay a estrada passa a ser um tapete plano e com longas retas a 4200 msnm e com poucas curvas, o que permitiu um excelente rendimento (totalmente diferente se comparado ao dia anterior). Só precisei parar uma vez para por mais uma luva a mais quando começou a chover pedra, chuva esta que me apedrejou por pouco mais de 15 quilômetros.

Já na entrada de Juliaca parei para abastecer e pude observar que a cidade é muito feia e o trânsito também. Como era cedo optei em seguir viagem até Puno, onde cheguei as 17:40. Para achar um hotel levei quase 1 hora, pois todos em que parava ou eram muitos simples ou sujos ou sem garagem. O único meia boca que achei fiquei, porém paguei caro.

Depois de instalado e banho tomado sai para conhecer a cidade que é bem movimentada. Nela há um calçadão cheio de restaurantes, casas de cambio, lojas de souveniers e obviamente muitos turistas. Fui conhecer o mercado popular deles (uma espécie de mercado municipal) e depois passei em um hipermercado, o primeiro desde o começo da viagem, onde comprei Habas Saladas (uma espécie de castanha, muito bom).